João Teixeira Raposo

Nome do Pai: 

Francisco Raposo

Nome da Mãe: 

Carolina Teixeira

Data de Nascimento: 
1928-??-??
Local do Registo: 
Mértola
Distrito / Pais (se for estrangeiro): 
Beja
Concelho: 
Mértola
Freguesia: 
Mértola
Local de Nascimento: 
Fernandes
Estado Civil: 
Solteiro
Residência - Localidade: 
Fernandes
Data de Falecimento: 
1956-02-27
Local de Falecimento: 
Santana de Cambas
Local da Sepultura: 
Mértola
Informação Pessoal: 

Biografia

Observações: 
Foi morto por um tiro de carabina na cabeça junto ao Moinho das Juntas. Este moinho estava localizado na margem espanhola da Ribeira de Chança na confluencia da Ribeira de Malagão com o Chança.
Assento de Óbito: 
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Profissão / Categoria: 
Trabalhador
Notas adicionais: 

“Era pelos cerros velhos, ia por além. Vão lá os carros. Então ê andei trinta e seis anos nessa rebera!...Trinta e seis anos andei ê no contrabando. Isso é uma rebera malinha! Eram mais de mil tiros! Carabineros e guarda - fiscal, uns e outros.
Olhe, aqui de roda do monte tem aí uns vinte calvários…Pois! Cargas que perdi!
(…) Na minha presença mataram…você ouviu falar no Raposo? Mataram-no ali ao Moinho das Juntas!... (…) O guarda fez o tiro para ali e não matou mais porque não calharam. (…) Então não sabiam? Pois a gente passava por todo o lado! (…) Aí às juntas ajuntava-se o Margão com a Chança. E então vieram pelo cerro e a gente passava por baixo, eu ia passando com este cunhado que morreu, o Manéli… Passei o açude, pois ia assim por baixo e vejo (…) um carabinero a correr por cima, volto para trás, por cima do açude, se você visse os tiros, era só fogo, pá! Ê tenho aqui os sinais de uma bala, era de nôte, às quatro da manhã. Aqui passava-se munto. Além a Espanha, íamos a Valverde, Rubia, Lepes, Castelejo… Comecei aí aos 28.
(…) Levávamos tudo. Café. Assabão…Trazíamos açúcar. Era tudo. Os espanhóis não tinham nada!...Isso era despachado aqui de Santana.
(…) Aqui ganhava-se vinte escudos. Vinte para cá, quarenta! Íamos ali levar café à Mina da Isabel. Abalávamos daqui à boca da noite, mas nesse tempo íamos sempre a corta-mato, o caminho era raro fazer… (…) Quilómetros! Com trinta quilos! Vinte e tal léguas!... Então cheguei a trazer também cargas de ferro. Aqui compravam o ferro, pois!
(…) Passei tantas! Cheguei a estar das cruzes para lá oito dias sem comer, nem beber. Mamávamos o café e o açúcar, chupávamos…então não podíamos ir ao povo nem a parte nenhuma! (…) Entrava e saía de noite! Era uma vida triste!

- José Afonso, 90 anos, Bens”
in "Memórias do Contrabando em Santana de Cambas - Um Contributo para o seu Estudo" edição da Junta de Freguesia de Santana de Cambas (Mértola) de Luís Filipe Maçarico