Manuel Lopes
Leopoldina da Costa Franco
Maria do Carmo Martins
Biografia
UM SARGENTO DA GUARDA FISCAL na Mina de São Domingos e no Pomarão
Joaquim da Costa Franco Lopes
18 de Novembro de 1957 — 31 de Maio de 1960
926 dias — uma apreensão, nenhuma captura
O homem que chegou à raia
Joaquim da Costa Franco Lopes nasceu a 24 de Dezembro de 1916 na Luz, concelho de Lagos, filho de Manuel Lopes e de Leopoldina da Costa Franco. Antes de alistado sabia, na fórmula do impresso, ler, escrever e contar correctamente classificado no 1.º grupo de habilitações e declarava a ocupação de escrevente.
Este último dado não é indiferente. Numa corporação em que a esmagadora maioria das praças provinha do trabalho rural, saber redigir era um capital escasso e é a chave para compreender por que razão, chegado à raia, lhe seria repetidamente confiado o comando interino da secção, função que consistia sobretudo em despachar correspondência, lançar registos e prestar contas.
Casou a 10 de Setembro de 1939 com Maria do Carmo Martins. A ficha de informação regista dois filhos varões Rui Martins (1940), e Joaquim Manuel (1948).
A folha de matrícula averbara ainda uma filha, Maria Augusta Martins Lopes, nascida a 15 de Março de 1945, com a anotação seca «F. em 18-Maio-1945». Viveu dois meses.
Alistara-se a 18 de Junho de 1936, para servir por vinte e cinco anos. Foi incorporado a 4 de Março de 1937 no Regimento de Infantaria n.º 15, promovido a 1.º cabo a 30 de Junho do mesmo ano, e obteve o 1.º curso das Escolas Regimentais para a sua arma a 28 de Maio de 1937, com treze valores.
A 4 de Abril de 1939 alistou-se na Guarda Fiscal, no Batalhão n.º 2, 3.ª Companhia, com o n.º 3624/39. Como sucedia a quem transitava do Exército para a Guarda, recomeçou no posto de soldado, perdendo os galões que já tivera.
A subida na hierarquia foi lenta e sistemática: 2.º cabo a 15 de Junho de 1944, 1.º cabo a 13 de Dezembro de 1945, 2.º sargento a 4 de Novembro de 1957. Doze anos entre o galão de cabo e as divisas de sargento. Pelo meio, as readmissões regulamentares de três em três anos e duas medalhas militares da classe de comportamento exemplar — a de cobre por Ordem de Serviço n.º 12 do Batalhão n.º 2, de 1942, a de prata alguns anos depois. São condecorações que se ganham por tempo de serviço sem punição averbada. Dizem menos de bravura do que de constância.
A folha de alterações do Exército acrescenta o que faltava para explicar a demora: reprovado no concurso para 2.º sargento em 1953. Repetiu em 1955 — prova escrita em Novembro, prova prática em Dezembro — e foi aprovado. Entre a aprovação e a promoção efetiva mediaram ainda quase dois anos de espera por vaga.
Tinha, portanto, quarenta anos, vinte e um de serviço e dezoito de Guarda Fiscal quando lhe deram as divisas e o mandaram para o Guadiana.
A 4 de Novembro de 1957, Franco Lopes passa à 4.ª Companhia do Batalhão n.º 2, por efeito da promoção ao posto de 2.º sargento, ficando em diligência a reunir. Termina a licença a 16, segue nesse mesmo dia ao seu destino, e — na formulação exata da folha da Guarda Fiscal —
«Foi colocado na secção da Mina de S. Domingos e posto de Pomarão cujo Comando assumiu em 18.»
A folha do Ministério do Exército limita-se a dizer «colocado»; a folha da Guarda Fiscal diz comando. Franco Lopes não foi destacado para o Pomarão como mais um graduado da guarnição: foi comandar o posto do Pomarão, e assumiu essa função a 18 de Novembro de 1957.
Era uma colocação de responsabilidade efetiva. O Pomarão constituía o terminal da via-férrea mineira e o porto de embarque do minério da Mina de São Domingos: o ponto onde a exportação, o tráfego fluvial do Guadiana e a proximidade do território espanhol se cruzavam num mesmo lugar. O posto fiscal instalado ali vigiava simultaneamente um cais de carga e uma linha de água internacional.
A permanência foi curta. A 1 de Fevereiro de 1958 é transferido, a seu pedido, do posto do Pomarão para o da Mina de São Domingos, entregando o comando a 2 de Fevereiro e assumindo o novo a 3.. Ao todo, setenta e sete dias no Pomarão.
Vinte e sete meses na Mina de São Domingos
De 3 de Fevereiro de 1958 a 31 de Maio de 1960, Franco Lopes é comandante do posto fiscal da Mina de São Domingos.
A 1 de Junho de 1960, Franco Lopes é transferido, a seu pedido, da secção da Mina de São Domingos para a de Tavira; apresenta-se a 6 e é colocado no posto de Santa Luzia, cujo comando assume nesse mesmo dia.
Terminava uma permanência de novecentos e vinte e seis dias na fronteira do Guadiana: setenta e sete no Pomarão, oitocentos e quarenta e nove na Mina de São Domingos, dos quais cinquenta e sete passados a comandar a secção.
A 4 de Junho entre a transferência e a apresentação em Santa Luzia o Comandante da Secção da Mina de São Domingos passa a relação negativa de indivíduos indocumentados, para juntar ao processo. É o último documento produzido sobre o seu serviço na área mineira, e é uma certidão a declarar: "Secção de Mina de S.Domingos-
Relação dos indivíduos indocumentados capturados pelo 2º Sargento Nº 3624/39-Joaquim da Costa Franco Lopes, durante o tempo que pertenceu a esta Secção: NEGATIVA.Em novecentos e vinte e seis dias , os setenta e sete do Pomarão incluídos, porque aquele posto pertencia a esta secção , Joaquim da Costa Franco Lopes não capturou uma única pessoa indocumentada. (Pesquisa JN/CEMSD)


