Manuel Basilio Cercas

Nome do Pai: 

João Basílio Cercas

Nome da Mãe: 

Cristina Mourão

Data de Nascimento: 
1905-03-23
Local do Registo: 
Corte do Pinto
Distrito / Pais (se for estrangeiro): 
Beja
Concelho: 
Mértola
Freguesia: 
Corte do Pinto
Local de Nascimento: 
Corte do Pinto
Estado Civil: 
Casado
Nome do Cônjuge: 

Bartolina Palma Neves

Data do Casamento: 
1928-11-10
Local do Casamento: 
Corte do Pinto
Data de Falecimento: 
1971-01-07
Local de Falecimento: 
Lisboa
Informação Pessoal: 

Biografia

Observações: 
O pai era guarda fiscal.
Assento de Nascimento: 
Empresa: 
Guarda Fiscal
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Profissão / Categoria: 
Guarda Fiscal
Serviço: 
Guarda Fiscal
Notas adicionais: 

Ex.mo Senhor Comandante,
Peço-lhe a fineza de me desculpar a liberdade que tomei de lhe escrever, mas uma necessidade indiscutível assim me obriga. Algum esforço tenho feito para conseguir ir pessoalmente falar com o Ex.mo Senhor Comandante, mas a crítica situação em que vivo não me permite que o faça. É portanto bastante envergonhada que escrevo estas linhas ao Ex.mo Senhor Comandante, pedindo-lhe um favor que desde já lhe agradeço.
Sou mulher de um soldado da G[uarda] Fiscal que actualmente se encontra no Dafundo. Desejava que o Ex.mo Senhor Comandante me fizesse a fineza de transferir meu marido para o Batalhão n.º 2, pois só Vossa Ex.ª é que me poderá salvar a triste situação em que vivo. Pois o meu pobre marido pediu para ir para Lisboa, porque temos a nosso cargo dois sobrinhos órfãos de mãe, e o pai está internado no Sanatório da Ajuda. E nós, pensando que em Lisboa conseguiríamos fazer qualquer coisa em benefício deles, meu marido, coitado, lá foi embalado na esperança de fazer qualquer coisa por esses pequenos mas infelizmente tudo tem corrido mal, mas péssimamente mal. Logo teve a infelicidade de não ficar na cidade; foi para perto de Torres-Vedras, num porto chamado Assenta, e só agora há pouco conseguiu vir para Dafundo. Está cansado de procurar casa e não encontra, e parados não podemos viver. Eu não posso governar-me com 400$00 que ele me pode mandar para mim e para os rapazes, que infelizmente nem subsidios têm e ele não pode governar-se com 300$00, porque tem de pagar a quem lhe faça tudo, enfim, é uma completa desgraça. Ele sofre por se ver só diz que emagrece de dia para dia, pois não pode pagar uma pensão não tem tempo para fazer a comida. Nós não podemos ir para lá, porque, como já disse, não se encontra uma casa que ele possa pagar. Em suma encontra-se numa situação desesperada vivo no maior sofrimento do mundo lembrei-me então de recorrer ao Ex.º Sr Comandante que julgo bem será benévolo e se compadecerá desta minha infelicidade não consultei o meu marido resolvi escrever sem lhe dizer pois escreve-me umas cartas tão tristes! (....)

para me fazer o favor de transferir o meu marido para o Batalhão n.º 2, na primeira oportunidade que seja possível, e desde já espero ser atendida pela vossa boa vontade, não me pondo ao número dos esquecidos. Compadeça-se da minha triste situação, desde já lhe agradeço o seu muito respeitosamente se assina.
assinatura Bertolina Palma (Esposa)