Cemitério dos Ingleses

Data da Construção: 
1860
Uso: 

Enterramento de súbditos britânicos, professantes da religião Anglicana.

Estado: 
Outro
Outro Estado: 
Encerrado
Localização: 
Observações: 

Sendo na época a religião católica dominante em todo o território português, a burguesia (protestante) inglesa fez para si um espaço exclusivo para sepultarem os seus falecidos, sem interferirem com os católicos, a maior parte dos enterramentos foram efetuados no Séc. XIX.
Este espaço retangular rodeado por um muro alto do século XIX, contem ainda seis lápides sepulcrais colocadas ao alto e onze ciprestes (seriam originalmente doze, tantos como os Apóstlos) no interior do mesmo.
É a única edificação que resta da aldeia primitiva erigida no Monte de Santo Domingo (Serra de São Domingos).
Na história popular, não confirmada factualmente, conta-se até que os ingleses trouxeram terra de Inglaterra para encher o espaço do cemitério.
No Tratado rubricado em Westminster a 10 de julho de 1654 entre Oliver Cromwell e o representante do rei D. João IV, Portugal prometia respeitar nas suas fronteiras a religião da comunidade britânica, numerosa pela tradicional relação comercial e marinheira entre ambos os países. Graças à apostila "e que se habilite um lugar para enterrar aos seus mortos" nesse acordo, a partir do século XVIII os protestantes de Portugal puderam evitar ter de lançar os corpos dos seus familiares ao mar, ou sepultá-los em terrenos não consagrados, devido à proibição católica de admitir "hereges" nas suas igrejas e cemitérios.
Este, é o mais recente dos seis cemitérios ingleses existentes em território nacional, um dos principais factores que diferencia os cemitérios protestantes, dos cemitérios católicos portugueses, é a manutenção dos restos mortais no mesmo local de sepultura, intocados sempre que possível. Os motivos eram de ordem religiosa, e relacionavam-se com a negação da existência do Purgatório.
A construção do cemitério terá custado à Mason And Barry Ldt 367$ Reis e o seu cuidado foi entregue à equipa de jardinagem que cuidava dos espaços verdes da povoação, assim se mantendo até à falência da empresa.
Em meados do Séc. XX, com o abandono da mina, também o cemitério foi abandonado entrando num processo de degradação, após a revolução de 25 de Abril de 1974 e o período conturbado que se seguiu, algumas campas foram vandalizadas/profanadas em busca de hipotéticos objetos de valor, nessa época foi igualmente pintada no muro norte a frase "Levantem-se malandros, que a terra é de quem a trabalha".
Durante os anos 80 do Séc. XX, a degradação continuou tendo sido em determinada altura usado como curral de ovelhas.
No principio do Séc. XXI foi finalmente protegido, tendo os muros sido restaurados (parcialmente), caiados e instalado um novo portão, o que devolveu alguma dignidade ao local.

Campas identificadas no Cemitério:

Britânicos residentes/funcionários na Mina sepultados no Cemitério Inglês de Lisboa:

Interior do cemitério, numa época em que se encontrava abandonado, alvo de vandalismo e a servir de curral de ovelhas (foto gentilmente cedida por Viriato Cabeça Branca).
Aspecto do interior em 2020
Aspecto exterior do cemitério em 1984
Campa I - Dora Maud (fonte: J. Custódio)
Campa II - Mary Harriet Leah Parkinson (fonte: J. Custódio)
Campa III - Margaret Purves (fonte: J. Custódio)
Campa IV - David Aitken e Isabel Duncan (fonte: J. Custódio)
Campa V - John Venner (fonte: J. Custódio)
Campa VI - Miriam Lamplugh e desconhecido (fonte: J. Custódio)
Campa VII - William Andrew Lamplugh (fonte: J. Custódio)
Campa VIII - Roger Athelstan Roskrow (fonte: J. Custódio)